Homem preocupado observa o carro sendo levado por um guincho em frente à casa

Guia de direitos

Busca e apreensão de veículo: como se defender

Atrasou o financiamento e recebeu uma notificação do banco? Entenda como funciona a ação, quais são os prazos e o que ainda pode ser feito.

  • Revisado por Lucas Almeida de Aquino · OAB/BA 92.207
  • Conteúdo revisado periodicamente

Resposta rápida

A busca e apreensão é a ação em que o banco pede a retomada de um veículo financiado com alienação fiduciária quando há parcelas em atraso. Ela segue o Decreto-Lei 911/1969 e exige a comprovação da mora. Depois que o veículo é apreendido, o devedor tem 5 dias para pagar a integralidade da dívida e reaver o bem, e 15 dias para apresentar defesa.

Como funciona

No financiamento com alienação fiduciária, o veículo fica em nome do banco como garantia até a quitação. Por isso, quando as parcelas atrasam, a instituição pode pedir à Justiça uma liminar para retomar o bem, sem precisar primeiro cobrar a dívida em outro processo.

Os prazos são curtos e contam a partir do cumprimento da liminar. Agir cedo aumenta as alternativas: negociar, pagar para manter o veículo, discutir cláusulas abusivas ou contestar irregularidades no processo.

Seus direitos

  • A ação depende da comprovação da mora. Basta que a notificação tenha sido enviada ao endereço do contrato, sem necessidade de recebimento pessoal (Súmula 72 e Tema 1132 do STJ).
  • Após a apreensão, o devedor pode pagar a integralidade da dívida em 5 dias, o que inclui parcelas vencidas e vincendas, e recuperar o veículo livre de ônus (Tema 722 do STJ).
  • Juros acima da média de mercado, tarifas indevidas e seguros embutidos podem ser discutidos na defesa ou em ação revisional.
  • Depois da venda do veículo, o banco deve prestar contas do valor obtido e devolver ao devedor o que sobrar após quitar a dívida.

O que fazer agora

  1. Passo 1: Não ignore a notificação

    Guarde a carta ou o e-mail recebido. Ela marca o início de uma fase em que os prazos correm rápido.

  2. Passo 2: Reúna os documentos

    Separe contrato, comprovantes de pagamento, extrato das parcelas e qualquer documento do processo.

  3. Passo 3: Evite agravar a situação

    Não oculte nem transfira o veículo. Isso pode gerar novas consequências e dificultar a defesa.

  4. Passo 4: Peça uma análise rápida

    Um advogado verifica o contrato, a notificação e os prazos para indicar o melhor caminho.

Como podemos ajudar

Estes são os serviços mais procurados neste tema. A análise indica qual se aplica ao seu caso.

Documentos para separar

  • Contrato de financiamento
  • Notificação extrajudicial recebida
  • Comprovantes das parcelas pagas
  • Documento do veículo (CRLV)
  • Mandado ou documentos do processo, se houver
  • Decreto-Lei 911/1969
  • Súmula 72 do STJ
  • Tema 722 do STJ
  • Tema 1132 do STJ
  • Código de Defesa do Consumidor

Perguntas frequentes

Com quantas parcelas atrasadas o banco pode pedir a busca e apreensão?

A lei não fixa um número mínimo. O atraso de uma parcela já caracteriza a mora, desde que ela seja comprovada por notificação. O STJ entende que a tese do adimplemento substancial, ou seja, ter pago a maior parte do contrato, não impede a busca e apreensão nesses contratos.

Preciso ter recebido a notificação pessoalmente?

Não. Pelo Tema 1132 do STJ, é suficiente que a notificação extrajudicial tenha sido enviada ao endereço indicado no contrato, mesmo que outra pessoa a receba ou que ela volte sem entrega.

Consigo recuperar o carro depois da apreensão?

Sim, pagando a integralidade da dívida em até 5 dias após o cumprimento da liminar. Nesse cálculo entram as parcelas vencidas e as que ainda vão vencer, conforme o Tema 722 do STJ.

O banco pode vender o carro em leilão?

Sim. Depois dos 5 dias, a propriedade se consolida em nome do banco, que pode vender o veículo. O banco deve prestar contas e devolver eventual sobra. Se o valor não cobrir a dívida, o saldo ainda pode ser cobrado.

Este guia tem caráter informativo e não substitui a análise individual de um advogado. Cada caso depende dos documentos, dos prazos e das circunstâncias.

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