Casal revisando um contrato de empréstimo na mesa da cozinha

Guia de direitos

Juros abusivos e revisão de contratos bancários

Parcela que não cabe no orçamento e dívida que só cresce? Veja como identificar juros abusivos e quando a revisão do contrato é possível.

  • Revisado por Lucas Almeida de Aquino · OAB/BA 92.207
  • Conteúdo revisado periodicamente

Resposta rápida

Os juros são considerados abusivos quando ficam significativamente acima da taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para a mesma modalidade e período. Nesses casos, o contrato pode ser revisto na Justiça para reduzir a taxa, recalcular as parcelas e devolver valores pagos a mais. A cobrança de juros acima de 12% ao ano, por si só, não é considerada abusiva (Súmula 382 do STJ).

Como funciona

O Banco Central divulga todos os meses a taxa média de juros de cada tipo de crédito: cartão, empréstimo pessoal, consignado, financiamento de veículos e outros. Esse número é o principal parâmetro usado pelos tribunais para avaliar se a taxa de um contrato é abusiva.

Além dos juros, a revisão pode alcançar tarifas proibidas, seguros embutidos sem escolha e a forma de cálculo dos encargos.

Seus direitos

  • Taxas muito acima da média do Banco Central para a mesma operação podem ser reduzidas pela Justiça.
  • A capitalização de juros (juros sobre juros) precisa estar prevista de forma clara no contrato (Súmulas 539 e 541 do STJ).
  • No cartão de crédito, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% do valor original da dívida (Lei 14.690/2023).
  • No cheque especial, os juros têm teto de 8% ao mês (Resolução CMN 4.765/2019).

O que fazer agora

  1. Passo 1: Localize o contrato

    Encontre a taxa de juros mensal e anual e o Custo Efetivo Total (CET).

  2. Passo 2: Consulte a taxa média

    Veja a taxa média do Banco Central para o mesmo tipo de crédito, na época da contratação.

  3. Passo 3: Compare os números

    Uma diferença grande em relação à média é o principal sinal de abusividade.

  4. Passo 4: Peça uma análise

    Um especialista confere o cálculo e indica se a revisão compensa no seu caso.

Como podemos ajudar

Estes são os serviços mais procurados neste tema. A análise indica qual se aplica ao seu caso.

Documentos para separar

  • Contrato com taxa de juros e CET
  • Extratos ou faturas recentes
  • Comprovantes das parcelas pagas
  • Propostas de renegociação recebidas
  • Súmula 382 do STJ
  • Súmula 530 do STJ
  • Súmulas 539 e 541 do STJ
  • Lei 14.690/2023
  • Resolução CMN 4.765/2019
  • Código de Defesa do Consumidor

Perguntas frequentes

Como saber se os juros do meu contrato são abusivos?

Compare a taxa mensal do contrato com a taxa média do Banco Central para o mesmo tipo de crédito e período. Quando a taxa contratada fica muito acima da média, há indício de abusividade, que precisa ser confirmado caso a caso.

Posso parar de pagar enquanto a revisão está em andamento?

Não é recomendado fazer isso sem orientação. O simples ajuizamento da ação revisional não afasta a mora (Súmula 380 do STJ). Dependendo do caso, o juiz pode autorizar o depósito do valor que se entende correto.

Juros acima de 12% ao ano são ilegais?

Não. Pela Súmula 382 do STJ, juros acima de 12% ao ano, sozinhos, não indicam abuso. O parâmetro é a comparação com a média de mercado.

Dá para revisar um contrato já quitado?

Em alguns casos, sim, para pedir a devolução de valores pagos a mais, respeitados os prazos de prescrição. A análise do contrato mostra se ainda é possível.

O que é revisão de contratos bancários?

É a análise do contrato de empréstimo, financiamento, cartão ou cheque especial para conferir se a taxa, os encargos e as tarifas respeitam a lei e o que foi combinado. Se houver cobrança abusiva, é possível pedir a correção ao banco ou na Justiça e a devolução do que foi pago a mais.

Empresas também podem pedir revisão de contrato bancário?

Sim. Contratos de capital de giro, conta garantida e cédulas de crédito bancário também podem ser revistos quando há encargos abusivos ou cobranças fora do contrato. Para empresas com várias dívidas, a gestão de passivos bancários organiza a revisão de todos os contratos.

Este guia tem caráter informativo e não substitui a análise individual de um advogado. Cada caso depende dos documentos, dos prazos e das circunstâncias.

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