Golpe do Pix, o que fazer: homem no sofá, à noite, confere a transferência no celular, com o notebook aberto e um caderno de anotações na mesa

Golpes e fraudes

Golpe do Pix: o que fazer logo depois de cair no golpe

Depois de um golpe do Pix, a ordem das providências faz diferença. Este guia mostra o que fazer primeiro, quais provas guardar e como registrar cada pedido para não perder prazos.

  • Atualizado em
  • Leitura de 7 minutos
  • Revisado por Lucas Almeida de Aquino · OAB/BA 92.207

Resposta rápida

Quem caiu no golpe do Pix deve contestar a transação no aplicativo do banco o quanto antes, para acionar o MED, o Mecanismo Especial de Devolução. Em seguida, deve ligar para o número oficial do banco, registrar boletim de ocorrência e guardar prints, comprovantes e protocolos. A contestação pelo MED pode ser feita em até 80 dias, mas a chance de recuperar o dinheiro é maior nos primeiros minutos.

Principais pontos

  • O primeiro passo é contestar o Pix no aplicativo do banco, o que aciona o MED.
  • O boletim de ocorrência e os prints da conversa com o golpista são as provas mais usadas depois.
  • Cada contato com o banco deve gerar um número de protocolo, com data e hora anotadas.
  • Se o banco negar a devolução, o caso pode ir à ouvidoria, ao Banco Central e à Justiça.

O primeiro passo: contestar o Pix no aplicativo

O primeiro passo é contestar a transação no próprio aplicativo do banco, na área do Pix. Essa contestação aciona o MED, o Mecanismo Especial de Devolução criado pelo Banco Central.

Com o MED, o banco que recebeu o dinheiro pode bloquear o valor na conta do golpista enquanto o caso é analisado. A versão MED 2.0 também segue o dinheiro quando ele é repassado para outras contas.

O prazo para contestar é de até 80 dias a partir da transação. Mesmo assim, o golpista costuma espalhar o dinheiro em minutos, então cada hora de atraso reduz a chance de achar saldo.

Passo a passo do que fazer depois do golpe do Pix

A sequência abaixo coloca primeiro o que depende de rapidez e depois o que serve de prova. Anote o horário de cada etapa, porque essa linha do tempo mostra como o banco reagiu.

O que fazer depois do golpe do Pix, na ordem
QuandoO que fazerPara que serve
ImediatamenteContestar o Pix no aplicativo e ligar para o número oficial do bancoAciona o MED e o bloqueio do valor na conta recebedora
Na primeira horaTrocar senhas, desconectar aparelhos desconhecidos e bloquear o cartão, se ele foi expostoImpede novas transações em seu nome
No mesmo diaRegistrar boletim de ocorrência, de preferência pela delegacia online do seu estadoDocumento oficial do crime, pedido em quase todas as etapas
No mesmo diaSalvar prints da conversa, número do golpista, comprovante do Pix e dados da conta que recebeuProvas para o banco, a ouvidoria e um eventual processo
Nos dias seguintesPedir ao banco, por escrito, a resposta da contestação e o número de protocoloRegistra que o banco foi avisado e quando
Se o banco negarReclamar na ouvidoria, no Banco Central e no consumidor.gov.brCria um registro formal antes de levar o caso à Justiça

Quais provas guardar depois do golpe do Pix

As provas mostram como o golpe aconteceu e como o banco agiu. Guarde tudo em uma pasta no celular e, se possível, envie uma cópia para o seu e-mail.

Não apague a conversa com o golpista, mesmo que ela seja constrangedora. É ela que mostra a fraude e o engano usado para convencer você.

  • Comprovante de cada Pix, com valor, data, hora e dados da conta recebedora.
  • Prints da conversa, do perfil e do número usado pelo golpista.
  • Boletim de ocorrência com a descrição do que aconteceu.
  • Números de protocolo de cada contato com o banco, com data e hora.
  • Extratos que mostrem o seu padrão normal de movimentação, para comparar com as transferências do golpe.

Quando o banco pode ter que devolver o dinheiro

O banco pode ter que devolver quando uma falha do serviço contribuiu para o golpe. Exemplos são aceitar transferências muito fora do seu perfil sem nenhum alerta ou manter conta de golpista aberta sem checagem.

Essa regra vem da Súmula 479 do STJ e do Código de Defesa do Consumidor. Ela não funciona de forma automática: cada caso depende das provas e de como o golpe aconteceu.

As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.

Súmula 479 do STJ

O que diz a lei sobre a segurança do serviço bancário

O Código de Defesa do Consumidor trata o banco como prestador de serviço. Quando a segurança falha, ele responde pelo dano mesmo sem culpa comprovada.

Na prática, a vítima precisa mostrar o prejuízo e a ligação dele com uma falha do banco. Por isso o registro de cada passo, desde o primeiro minuto, pesa tanto.

O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Código de Defesa do Consumidor, art. 14

Erros comuns depois do golpe do Pix

Alguns erros atrasam a contestação ou enfraquecem as provas. Os mais frequentes acontecem nas primeiras horas, quando a vítima ainda está assustada.

  • Esperar o dia seguinte para contestar, quando o dinheiro já foi espalhado.
  • Apagar a conversa com o golpista por vergonha.
  • Ligar para números recebidos por mensagem, que podem ser de um segundo golpe.
  • Pagar alguém que promete recuperar o dinheiro mediante taxa antecipada.
  • Falar com o banco só por telefone, sem pedir protocolo nem resposta por escrito.

Quando procurar um advogado

Vale procurar um advogado quando o banco nega a devolução, demora a responder ou quando o valor é alto. O advogado avalia se houve falha do banco pagador, do banco recebedor ou dos dois.

Leve o boletim de ocorrência, os comprovantes, os prints e os protocolos. Com esses documentos, a análise mostra se o caso tem base para uma reclamação formal ou para uma ação.

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  • Ressarcimento de golpe do Pix

    Fez um Pix para um golpista e o banco não devolveu? A AST Advogados confere a contestação no MED, aponta as falhas dos bancos envolvidos e busca o ressarcimento.

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    A ligação parecia do banco e, depois dela, o dinheiro saiu da sua conta? A AST Advogados analisa as operações, aponta as falhas do banco e busca o ressarcimento.

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    Alguém entrou na sua conta e fez Pix, transferências ou empréstimos? A AST Advogados pede ao banco o registro de acessos, aponta as falhas e busca o ressarcimento.

Perguntas frequentes

Até quando posso contestar o Pix do golpe?

A contestação pelo MED pode ser feita em até 80 dias a partir da transação. Mesmo assim, o ideal é contestar nos primeiros minutos, enquanto o dinheiro ainda pode estar nas contas rastreadas.

Preciso fazer boletim de ocorrência depois do golpe do Pix?

Sim. O boletim é o registro oficial do crime e costuma ser pedido pelo banco, pela ouvidoria e em um eventual processo. Na maioria dos estados ele pode ser feito pela delegacia online.

O banco é obrigado a devolver o dinheiro do golpe do Pix?

Não automaticamente. O banco responde quando uma falha do serviço contribuiu para o golpe, como aceitar transações muito fora do seu perfil. Cada caso depende das provas.

Alguém pode cobrar para recuperar o dinheiro do golpe?

Desconfie de qualquer pessoa que peça pagamento antecipado para liberar o dinheiro. Esse é um golpe comum depois do primeiro. A contestação pelo MED é feita no próprio aplicativo, sem custo.

Foto de Lucas Almeida de Aquino

Escrito e revisado por

Revisão: Lucas Almeida de Aquino · OAB/BA 92.207

Advogado da AST Advogados, com atuação em direito bancário. Conheça a equipe jurídica e a política editorial.

Fontes consultadas

  1. Súmula 479 do STJ
  2. Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990)
  3. Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) - Banco Central do Brasil

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a análise individual de um advogado. Cada caso depende dos documentos, dos prazos e das circunstâncias.

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